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Michael Stanton: "Estou agradecido e muito feliz pelo reconhecimento do Hall da Fama"

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O novo membro do Hall da Fama da Internet é um "velho conhecido" da RedCLARA. Michael Stanton está vinculado à rede latino-americana desde sua criação, e seu papel no desenvolvimento da estrutura da rede acadêmica regional foi evidenciado nos projetos ALICE, ALICE2, ELLA e BELLA. Seu espírito colaborativo é reconhecido por todos os que fizeram parte da formação, manutenção e crescimento organização. Marido, pai, avô, amigo, professor e especialista em redes são algumas das palavras que o definem, e sua recente adição ao Hall da Fama da Internet é, para aqueles que o conhecem, um merecido prêmio por sua brilhante contribuição e trajetória Nesta entrevista, Stanton repassa sua carreira, comenta os projetos em que está atualmente envolvido e deixa uma mensagem para os jovens que querem fazer história na Internet, exatamente como ele próprio fez.

Olá, Michael! Parabéns por tornar-se parte do Hall da Fama da Internet. Quando e como você recebeu a notícia, e como se sente a respeito disso?

Foi no dia 29 de maio, quando recebi um email enviado por "Internet Society" (ISOC) para me informar sobre a premiação que seria realizada no dia 27 de setembro, em San José, Costa Rica. Estou agradecido e muito feliz pelo reconhecimento do Hall da Fama.

Você consegue destacar algum “ponto alto" de sua trajetória?

A citação menciona meu papel em provocar, em 1987, uma discussão ampla e nacional sobre a criação de uma rede acadêmica no Brasil. Esta rede seria ligada às de outros países, para permitir acesso a, e troca de, informações e colaboração com colegas em outras instituições no Brasil e no exterior. Em 1989 foi criado o projeto Rede Nacional de Pesquisa (RNP) pelo CNPq, o que articulou e lançou a primeira rede acadêmica nacional no país, integrada a redes semelhantes no exterior. Entre 1990 e 1993 fui coordenador da pesquisa e desenvolvimento (P&D) da projeto, e advogado da adoção da tecnologia da Internet (TCP/IP). Em 1999, a RNP virou uma empresa sem fins lucrativos, e mais tarde uma Organização Social (OS). Em 2002, fui cedido por minha universidade (Universidade Federal Fluminense - UFF) para assumir a diretoria de inovação (mais tarde, P&D) na empresa RNP, cargo que exerci até 2018. Os principais destaques deste período incluíram a modernização das redes da RNP, incluindo a rede nacional e suas conexões internacionais, inclusive com América Latina, e as redes metropolitanas, construidas pela RNP. Adicionalmente, foi criado um programa de cooperação com equipes das universidades brasileiras para desenvolver melhorias inivadoras nos serviços prestados pela RNP.

Qual foi a importância de RedCLARA para esta conquista?

Desde 2002, venho representando a RNP em melhoria de infraestrutura da RedClara, em relação aos projetos ALICE, ALICE2, ELLA e BELLA. Adicionalmente, coordenei o Comitê Técnico de CLARA da sua criação em 2005 até 2009. A citação do Hall da Fama também cita contribuições à América Latina.

Como você analisa o presente e o futuro da Internet? Ela se tornou exatamente o que sua geração previu? E o que você enxerga como tendências mais fortes, além de desafios e oportunidades, para o futuro?

Do ponto de vista da comunidade acadêmica, acho que cumpre muito bem as expectativas originais, em termos de viabilizar colaboração à distância, acesso a recursos remotos e alto desempenho de transporte de informações. No início das redes somente acadêmicas, somente pensamos na nossa comunidade. O que passou em seguida foi transferir estes conhecimentos também para a sociedade em geral, através de nossos alunos, e os demais grupos da sociedade geral que acompanha o que passa nas universidades: governo, comunicação, as empresas (especialmente de tecnologia).  Dois anos depois do lançamento da rede da RNP em 1992, o Brasil já era seco para também participar, o que resultou no aparecimento de provedores comerciais de serviço Internet em 1995. Quase 25 anos mais tarde, o Brasil se tornou um dos países mais conectados no mundo. É claro que nem toda mudança grande assim vem sem dor, mas a princípio o benefício é bem positivo.

Em que frentes de trabalho você está envolvido hoje?

Deixei de ser diretor de P&D em 2018, e a RNP criou a posição nova de Cientista de Redes, sem responsabilidades executivas. Acompanho ainda algumas frentes, ligadas à inserção da RNP nas redes internacionais e no uso de conexões subfluviais na América do Sul.

O que você tem a nos dizer sobre o projeto BELLA? Quais você crê que serão os impactos desse programa para a Internet e para aqueles que estão envolvidos com ela?

O padrão atual de conectividade entre Brasil (e o resto da América Latina) e o resto do mundo foi definido pelo construção de 3 sistemas de cabos submarinos da então nova geração em torno do an 2000, restringindo todo tráfego para o resto o mundo a passar pelos Estados Unidos. O projeto BELLA é parte de uma iniciativa maior, de provocar a construção e operação de novo cabo submarino conectando diretamente Europa e América do Sul, por meio da aquisição de nova conectividade acadêmica internacional nesta rota. O subsídio vem de governos que enxergam boa oportunidade de atender as necessidades de usuários acadêmicos durante os próximos 20 anos ou mais, e repassam estes recursos às redes acadêmicas envolvidas. Estes investimentos viabilizam a empresa EllaLink, que está construindo novo cabo entre Portugal e Brasil, que deverá estar pronto para uso até final de 2020. Este cabo também tem usuários não-acadêmicas, bem como o recente participação de uma grande empresa de telecomunicações da Europa. O benefício para todos seus usuários serão acesso mais fácil a parcerias na Europa, bem como rotas mais curtas para grande número de países na África e boa parte da Ásia.

Há muitos rapazes e moças que estão começando agora sua trajetória no desenvolvimento da Internet. Que mensagem você deixaria para eles(as)? Alguma dica para que alcancem o que você já alcançou?

O mundo da computação e seus usos mudou irreversivelmente quando se juntou à comunicação entre computadores, que hoje em dia inclui qualquer equipamento qualificado como "smart", começando com os "smartphones". Evidentemente, muitos usos não requerem grande conhecimento técnico para seu uso. Agora, seu aproveitamento maior pode ser alcançado pelo conhecimento de como usar apps comuns em ambientes informatizados, e, mais ainda, pela capacidade de desenvolver novos aplicativos e/ou bases de informação, ou pela colocação de "inteligência" em equipamentos "burros". Há grande oferta de capacitação em todas estas áreas, e vale a pena se informar sobre as alternativas, se você já sabe que este conhecimento lhe interessa. Saber mais sobre como é e como usar a Internet faz parte deste aprendizagem.